Papai realizou um antigo sonho quando aterrissamos na Ilha
de Páscoa, após um longo vôo de Santiago. Desde que ele vira os moais na capa do livro Eram os Deuses Astronautas? pela
primeira vez, ainda na sua infância, ele tinha o desejo secreto de conhecer
este lugar que parecia tão misterioso.
A Ilha de Páscoa, ou Rapa
Nui, fica perdida no meio do Pacífico, a mais de 2.000km do local habitado
mais próximo. Mas não havia como me sentir isolado com tanta gente me
acompanhando: além do papai e da mamãe, vovô Manoel, vovó Carmem e tia Iau! A
nossa recepção no aeroporto foi no estilo polinésio, com direito a um colar de
flores no desembarque. O aeroporto, apesar de possuir uma pista tão longa que
permitiria até o pouso de um ônibus espacial, é minúsculo e recebe apenas um
vôo por dia.
![]() |
| Que vista da nossa varanda! |
![]() |
| A caverna de Ana Kai Tangata ficava bem em frente à nossa pousada |
Nas encostas da cratera ficam as ruínas da cidade sagrada de Orongo, onde há muitos séculos atrás os antigos habitantes disputavam a prova do homem-pássaro. Nesta prova, retratada no filme Rapa Nui, aquele que primeiro descesse a encosta de 200 metros de altura, atravessasse os quase 1.400 metros de mar e trouxesse os ovos de pássaros da ilhota vizinha tornava-se líder na ilha.
![]() |
| Olhem a cratera do vulcão! |
Mas e os famosos moais,
quando os veríamos? Bem, no mapa da ilha tudo que começa com Ahu sinaliza a presença deles – e são muitos
Ahu! Nosso primeiro contato foi em Ahu Akivi, onde estão os únicos moais voltados para o mar (todos os
outros são voltados para a ilha). Não haveria como ter sido melhor: apenas nós
e as gigantescas estátuas, o céu coberto de nuvens cinzentas e o vento gelado
do Pacífico. Só faltava o OVNI descer! O tempo melhorou um pouco, mas as nuvens
não chegaram a comprometer o pôr-do-sol em Ahu
Tahai, onde estão os moais mais
próximos da cidade e o único que tem os olhos pintados.
No dia seguinte desbravamos o litoral leste da ilha. Fomos
surpreendidos em todos os aspectos: a pequena pista, cruzada por raríssimos
carros, nos conduzia por uma paisagem indescritível, por entre vulcões extintos,
cavalos selvagens e as ondas do mar que quebravam nas pedras negras. Nossa
primeira parada foi em Rano Raraku, ou
a “fábrica” de moais. Ali as estátuas
foram produzidas num ritmo alucinante até meados do século XVII, ficando cada
vez maiores e mais detalhadas. A maior parte do corpo das estátuas está
soterrada, e as suas cabeças representam apenas um terço do seu tamanho. Ali
pertinho conhecemos talvez o local mais belo da ilha, em Ahu Tongariki. Quinze enormes moais
enfileirados em frente ao mar, com um vasto gramado em frente onde corri,
pulei e rolei até cansar.
Voltamos para Hanga
Roa, pois apenas aqui encontramos os poucos restaurantes da ilha. Tenho que
fazer alguns comentários sobre a culinária local: vovô descobriu que adora ceviche, o papai que adora uma cerveja
tahitiana muito vendida por aqui e a tia Iau não dispensa o expresso depois do
almoço (mas isso eu já sabia!) Aliás, não há na ilha melhor lugar para se fazer
o “momento café” do que no mikafe, de
frente para o pequeno porto. Ali também está o melhor sorvete artesanal da
ilha. Apesar de poucos, os restaurantes são muito bons e gostamos
particularmente do Te Moana, com
decoração descolada e vista para o mar. Variamos bastante, pois todo dia
almoçamos num local diferente! O jantar ficava por conta da vovó Carmem, mamãe
e tia Iau, que preparavam macarronadas deliciosas no nosso chalé.
Como na Ilha de Páscoa a influência polinésia é muito forte,
a típica dança daqui se assemelha muito
com o que conhecemos por dança havaiana. No sábado à noite fomos à uma
apresentação do Ballet Kari Kari, onde
vi índios guerreiros batucando um sem-número de tambores e dançarinas com
colares e saias de palha. Acho que vovô Manoel escolheu a primeira fileira já
na expectativa de ser escolhido para subir ao palco, o que acabou acontecendo
de verdade! Foi impagável vê-lo ensaiando os seus passinhos em meio aos
dançarinos rapanui!
Nosso último dia foi reservado para conhecermos a única
praia da ilha. Distante pouco mais de 13 quilômetros da cidade, trata-se de uma
pequena amostra do que são as paradisíacas praias da Polinésia. Mas há aqui um
charme especial conferido pela fileira de moais
guarnecendo a estreita faixa de areia, os mais bem esculpidos de todos. Não
ha outro lugar do mundo como esse, e a água gelada não nos impediu de dar um
mergulho no Pacífico.
Nosso último jantar foi no único restaurante japonês da
ilha, tão pequeno que possui apenas duas mesas. Também pudera, no Kotaro o dono e chef prepara até mesmo a massa do macarrão. Papai finalmente comeu
os famosos sushis da Ilha de Páscoa. Vovô fez falta, mas como era domingo à noite
teve que ficar no nosso chalé cuidando da cama e de uma taça de vinho chileno.
Estes poucos dias distantes de tudo foram certamente
inesquecíveis. Nossa intérprete impecável (titia Iau) deu um show falando do
espanhol ao francês. Mas papai e vovô também não ficavam atrás, o primeiro desenferrujando
suas aulas de espanhol com muita mímica e o último com seu portunhol que sempre
resolve. Olha, estou ficando mal-acostumado com tantas viagens maravilhosas!
































Nenhum comentário:
Postar um comentário