sábado, 1 de março de 2014

O coração do Japão

Na história milenar japonesa, Tóquio representa apenas um lapso bem recente de tempo. A grande protagonista é sem dúvida a antiga capital do Império, Kyoto. Famosa por seus incontáveis templos, esta é uma cidade interessante: tem um centro bem despretensioso, parecido com o de qualquer outra cidade japonesa. O seu charme está todo na verdejante periferia, nas áreas próximas às montanhas de Higashiyama e Arashiyama.



Ponto-cho, um pequena rua de pedestres famosa pelos restaurantes e pelas gueixas
Antes, no entanto, cabe dizer algumas poucas palavras sobre os shinkansen. Percorremos a distância que separa Tóquio de Kyoto, cerca de 465km, em apenas três horas. Pode-se viajar por todo o país a bordo dos velozes trens-bala, com pontualidade britânica. Só não os chamem de "bullet train", porque ninguém vai entender viu? É shinkansen!

Olha o shinkansen aí!


Esperando meu trem chegar! Ufa, nunca andei tanto de trem na minha vida

 Começamos pelo mais importantes dos templos: o vertiginoso Kyomizu-dera, suspenso num precipício com uma vista grandiosa da cidade. Ali por perto estão vários outros templos importantes, e o segredo é se perder pelas charmosas ruelas de pedestres que permeiam o lugar. Kodai-ji ficava a cerca de 10 minutos caminhando, e neste templo fomos surpreendidos pelo belíssimo jardim.

Kiyomizu-dera


Cada plaquinha representa um pedido de oração diferente

Aprendi que nunca entramos num lugar com tatame com os sapatos

Templo Kodai-ji

Cabeças de dragão enterradas!
Talvez vocês não saibam, como eu também não sabia, que a maioria dos templos que estamos visitando é budista. Aqui no Japão apenas 1% da população é cristã. Aprendi também a me comportar num templo budista: purificar as minhas mãos e a boca no tsukubai, pequenos tanques de pedra nas entradas de cada templo; e girar as rodas de oração, conhecidas como mani, fazendo pedidos de paz para a minha família. Não precisa dizer que eu adorei brincar com a água, não é mesmo? Fazia questão de me purificar toda hora, até debaixo de chuva!

Desejo muito amor e paz!


Girando as rodas mani
Até debaixo de chuva eu me purificava
Foram muitos templos, e cada um de nós teve o seu preferido, aquele que foi o mais marcante. O vovô Manoel, por exemplo, adorou o Okochi Sanso, jardim zen que já pertenceu a um antigo samurai que virou ator. Mamãe não se esquecerá de subir as longas escadas do Chion-in, em meio aos seus incontáveis subtemplos. Um local, entretanto, foi unânime: o bamboo grove, um caminho mágico por entre altíssimos bambus, que mais parece ser outro planeta.

Pórtico do templo Chion-in, sede do budismo terra pura

Perdidos no alto do Chion-in



Bamboo grove

Okochi-sanso

Vale de Arashiyama

Adoro meu momento chá!
Não poderia finalizar sem antes comentar sobre as maiko ou aprendizes de gueixas. Quando caminhamos por entre as pequenas ruas de Higashiyama, onde ficam alguns dos principais templos de Kyoto, nos deparamos por diversas vezes com estas personagens. Seus quimonos coloridos e maquiagem típica criam uma atmosfera ainda mais inacreditável no lugar.



Bem próximo a Kyoto visitamos dois lugares inesquecíveis, tipo bate e volta: a pequena cidade de Nara e Hiroshima. Vou contar um pouco sobre elas depois!

Um comentário:

  1. Sabe Felipe,tenho certeza que este será um passeio inesquecível para todos vcs.
    As fotos estão maravilhosas e ver a sua carinha de felicidade não tem preço! To morrendo de inveja dos vovos Carmen e Manoel por poderem estar compartilhando desse momento mágico em sua vida.
    Bjs Vovó Gracinha e Vovô Evilazio

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