domingo, 9 de março de 2014

Nara e Hiroshima

Bem próximo de Kyoto fica a pequena e charmosa Nara, a primeira capital conhecida do Japão. Como leva-se apenas quarenta minutos de trem para alcança-la e as principais atrações estão todas reunidas no seu belo parque, pode-se perfeitamente ir e voltar no mesmo dia. Pouco após a chegada nos deparamos com os moradores mais ilustres da cidade: os ariscos veadinhos que correm soltos às centenas, e teimam em procurar comida nos lugares mais improváveis. Papai levou logo um knock down quando um deles mordeu o bolso da sua calça, mas a vovó Carmem era sempre a mais perseguida! Só não vale revidar, eles são considerados de muita boa sorte.

Acho que a vovó Carmem tem comida escondida... 


Nos arredores do parque fica o Kofuku-ji, um templo que pertenceu na sua época à família mais poderosa do Japão e abriga um pagoda de cinco andares, o mais alto do país.



Olhem a altura deste pagoda! Dá para acreditar que foi construído há mais de seis séculos atrás?

A pequena Nara tem, apenas no seu parque, oito locais tombados pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade. Há ali uma preciosa coleção de templos budistas em madeira, sendo que o principal, o Todai-ji, é hoje considerado a maior estrutura humana construída desta forma.

Portão Nandaimon


A dica é subir as escadas do Todai-ji de cabeça baixa, pois desta forma o impacto ao se deparar com a gigantesca estátua do Buda em bronze no seu interior é ainda maior. Sentado na posição de lótus, ele é guardado por formidáveis guerreiros que parecem poder ganhar vida a qualquer momento.

Todai-ji




Dentre as colossais colunas de madeira do Todai-ji, há uma perfurada por uma espécie de pequeno túnel, estreito o suficiente para permitir que apenas crianças passem por ali. Pois não é que a mamãe também conseguiu passar para o outro lado? Dizem que é sinal de muita sorte!



Uma tranquila caminhada morro acima, por entre os bambi soltos e os belos jardins do parque, nos levaram até o Nigatsu-do, nossa última visita em Nara. Trata-se de um templo auxiliar à estrutura do Todai-ji. Fechamos nosso dia de passeio num restaurante com rodízio de sushis, onde escolhíamos o que comer entre os que passavam numa esteira na nossa frente. Cada prato tinha um valor diferente. Olhem a pilha de pratos que o vovô Manoel acumulou!

Nigatsu-do




Será que o vovô Manoel matou a vontade de comer sushis?
Nosso segundo passeio a partir de Kyoto foi especialmente inesquecível para o vovô Manoel e para a mamãe, que sonhavam há muito tempo em conhecer Hiroshima. Como aquele era um dia de muitas expectativas, acordamos bem cedo para termos tempo de também conhecermos a pequena ilha de Miyajima, um dos locais mais fotografados do Japão. Após pegar o trem de Hiroshima, realizamos uma travessia de balsa com dez minutos de duração. Certamente vocês já viram antes o famoso Tori vermelho que parece flutuar sobre as águas.


Tori em Miyajima



Santuário Itsukushima 

Adorei andar de ferry!

A idéia foi da vovó!

Após o momento-café da vovó Carmem e do momento-lula assada do vovô Manoel, seguimos de volta para Hiroshima. Da estação central pegamos um bonde para o Genbaku domu, ou cúpula da bomba atômica. O prédio parcialmente destruído estava localizado logo abaixo do ponto de explosão, e foi um dos poucos a permanecer em pé. O trágico passado desta cidade, primeiro lugar atingido por uma arma nuclear na nossa história, é dolorosamente relembrado em cada detalhe do Parque Memorial da Paz.



Museu memorial da Paz ao fundo

Monumento em homenagem às crianças

A chama só irá se apagar com o fim das armas nucleares


Réplica da bomba utilizada em Hiroshima

Não gostei nem um pouco deste museu

Leão solto no parque!
Mas esta não é uma visita apenas triste. Há, ali no parque memorial da paz, algo ainda mais forte que a dor das recordações tão intensas. Ao sairmos de Hiroshima, era a esperança o que mais nos preenchia - bastava olhar ao nosso redor e observar como a nova cidade vibrava e crescia em tão pouco tempo.

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